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Dimensionamento de elevadores: o que a NBR 5665 exige na prática

Atualizado em 22 de julho de 2026 · leitura de ~7 min

Errar o dimensionamento de elevadores não aparece na planta — aparece um ano depois da entrega, na fila do saguão às 8h da manhã. Este guia explica quando o cálculo é obrigatório, o que os números da NBR 5665 realmente significam para quem mora ou trabalha no prédio, e os erros mais comuns que fazem um projeto passar no papel e falhar na prática.

Por que esse cálculo existe

A NBR 5665 não define quantos elevadores "parecem suficientes" — ela define quantos são estatisticamente necessários para atender a população do edifício em um intervalo de tempo aceitável, considerando o horário de pico (normalmente a saída ou entrada matinal, quando praticamente todo mundo quer usar o elevador ao mesmo tempo). Um prédio residencial de 20 andares com um elevador subdimensionado funciona bem às 14h e vira gargalo às 8h — é esse cenário de pico que a norma força o projetista a antecipar.

Quando o cálculo é exigido

Na prática, o dimensionamento de tráfego é solicitado em três momentos do projeto:

Os dois números que realmente importam

Depois de rodar o cálculo (veja a calculadora de tráfego de elevadores para o passo a passo completo da fórmula), dois resultados decidem se o projeto está aprovado:

Intervalo de tráfego (I)

É o tempo médio, em segundos, entre a chegada de duas cabines consecutivas no pavimento de embarque. Quanto menor, melhor — um intervalo de 25 a 30 segundos é considerado bom para uso residencial; acima de 40 segundos, os moradores começam a perceber a espera como incômoda. Edifícios comerciais exigem intervalos ainda mais curtos, porque o pico de demanda é mais concentrado.

Percentual de população atendida

É a relação entre quantas pessoas o sistema de elevadores consegue transportar em 5 minutos e quantas deveriam ser transportadas nesse mesmo período, segundo o critério da norma (em edifícios residenciais, normalmente 10% a 15% da população total). Um resultado abaixo de 100% significa que, no horário de pico, uma parte dos moradores vai ficar esperando na fila além do intervalo calculado — não é uma falha pontual, é o sistema operando estruturalmente no limite.

Percentual atingido = (capacidade de transporte real ÷ capacidade exigida pela norma) × 100

Erros comuns de projeto

  1. Calcular a população pela área e não pela tipologia real dos apartamentos. Um edifício com muitas unidades pequenas (studios, 1 dormitório) tem densidade populacional maior do que a mesma área construída em apartamentos grandes — e a norma é sensível a isso.
  2. Ignorar elevadores privativos no cálculo do grupo comum. Elevadores de acesso exclusivo a coberturas ou unidades específicas não entram na conta de capacidade do grupo comum — mas continuam contando na população total do edifício.
  3. Confundir dimensionamento de tráfego com dimensionamento físico. O cálculo da NBR 5665 define quantas cabines, de que capacidade e velocidade são necessárias — as dimensões do poço, da casa de máquinas e da estrutura vêm depois, em catálogo técnico do fabricante escolhido.
  4. Deixar o cálculo para o fim do projeto. Poço de elevador subdimensionado é uma das mudanças mais caras de corrigir depois que a estrutura já está definida — o ideal é rodar o cálculo ainda no estudo preliminar.

Exemplo rápido

Um edifício residencial com 688 pessoas estimadas e um percurso de 106,20 m entre o térreo e o último pavimento atendido resultou, em um cálculo real, em 104% de capacidade de tráfego atingida com dois elevadores comuns — ou seja, dentro do critério da norma, com uma margem pequena. Se a incorporadora decidisse aumentar o número de unidades por andar nesse mesmo projeto, o percentual cairia abaixo de 100% e um terceiro elevador (ou cabines de maior capacidade) passaria a ser necessário.

Quer rodar esse cálculo com os números do seu próprio projeto? Use a calculadora de tráfego de elevadores — o passo a passo completo da metodologia (com as 14 etapas da NBR 5665) está detalhado na própria ferramenta.

O cálculo substitui o projetista?

Não. O resultado numérico indica se a configuração proposta atende ao critério normativo — mas decisões como escolha de fabricante, velocidade de cabine, número de paradas privativas e integração com o projeto de arquitetura e estrutura continuam sendo responsabilidade técnica de um arquiteto ou engenheiro habilitado, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) ou Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) no projeto.